Binge eating: o monstro [ainda] no meu armário

Binge

No meu post sobre aceitação corporal, e o caminho bem longo que ainda temos que percorrer para a alcançar, levantei um pouco o véu sobre o meu próprio caminho de body positivity.

A verdade é que mais ou menos desde os 11/12 anos que lido um conjunto de inseguranças em relação ao meu corpo, que vieram a ser mais evidentes com o passar dos anos. No entanto, apesar de eu ter uma imagem de mim mesma completamente errada, eu não era propriamente uma miúda gorda nem tinha propriamente excesso de peso, tinha simplesmente um corpo fora do padrão.

Durante a adolescência as minhas inseguranças e baixa autoestima nunca tomaram proporções demasiado elevadas, mas condicionavam imenso o meu dia a dia sem eu me aperceber. Exemplo: para mim era impensável tirar fotografias na praia, ou fotografias em geral, porque não me sentia bem comigo mesma.

Esta situação veio a escalar ao longo dos anos e, após muitas dietas iô-iô obviamente falhadas, houve um dia em decidi finalmente mudar a minha alimentação de forma drástica.

Apesar de ter sempre partilhado o lado bom da minha alimentação e ter aprendido a fazer escolhas melhores, ter aprendido um montão de novas receitas e aberto novos horizontes, nem tudo foi cor de rosa.

Há um lado que eu nunca expus e com o qual tenho travado uma luta constante desde 2016: binge eating. De forma resumida, o binge eating é distúrbio alimentar caraterizado por episódios de ingestão de uma quantidade de comida definitivamente maior do que a maioria das pessoas comeria, no mesmo período de tempo e sob as mesmas condições.

Geralmente estes episódios são espoletados por alterações ao humor e, no meu caso, o gatilho são o stress e a melancolia. E eu, apesar de até estar estar super feliz com a minha nova imagem e a mudança dos meus hábitos em 2016, faltava-me sempre algo.

Queria sempre mais, achava que nunca estava suficientemente bem e de vez em quando tinha episódios em que esse sentimento me controlava de tal forma que eu só conseguia encontrar conforto na comida e mandava abaixo um pacote de bolachas digestivas de chocolate em meio episódio de Modern Family depois de jantar.

Por vergonha, geralmente esperava que os meus pais se deitassem para atacar a despensa e comer tudo o que houvesse. Escusado será dizer que no dia seguinte ainda me sentia pior, porque além de tudo, sentia também culpa.

Com a pandemia, dá para imaginar como andam os meus níveis de stress e ansiedade. Passei parte do ano passado sem trabalho, o que também não ajudou, e a falta de rotina exercício físico básico, contribuíram para que eu ganhasse todos os kg que tinha perdido em 2016, mais alguma coisa.

Ora, além da culpa que sinto por ter perdido o controlo e jogado a toalha ao chão, o binge eating tem sido mais acentuado devido ao emprego altamente stressante que tenho agora.

Desde o final do ano passado e início deste ano que decretei guerra a esta situação e decidi que este ano será ano de mudanças, mas não só no peso.

Quero que 2021 seja o ano em que finalmente começo a percorrer um caminho em direção a paz interior e aceitação, e espero que quem esteja a passar pelo mesmo consiga também percorrê-lo.

Imagem: https://br.freepik.com/vetores/alimento

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